Esta manhã, ao deixar o carro no estacionamento junto à secção de inquéritos da PSP em Alcantâra, dei por mim a questionar a justeza da vida.Normalmente deixo o carro entre a dita secção e a discoteca Queens. Fica mais perto do acesso ao viaduto da Infante Santo, que me permite o atravessamento da linha para poder tomar o autocarro em direcção ao Rato.
Àquela hora da manhã (7h30) o movimento, principalmente nesta altura de férias, não costuma ser muito, mas hoje a zona estava invulgarmente agitada e preenchida.
Dois ou três pontos em comum uniam todas aquelas pessoas: estavam etilicamente bem dispostas, vinham todos da dita discoteca e o seu tom de pele era assim... para o escuro!
Isto por si só não me faria despertar nenhum tipo de sentimento, mas ao verificar como a grande maioria destas pessoas abandonava o local, fiquei de boca aberta!
Mercedes e BMW eram comuns entre eles. E não se pense que estamos a falar de "charutos" importados e com mais de oito anos, não!
Estamos a falar de carros recentes com preços que variam entre os 40000€ e os 125000€!!
Não acham estranho que jovens de orelhas perfuradas (não é preconceito, eu próprio uso brinco!), bonés revirados e que pelos vistos não trabalham (de que outro modo sairiam de uma discoteca aquela hora num dia de semana?) andem em bólides deste calibre?!
Há uns anos atrás, um amigo meu teve uns problemas com as finanças.
Omitiu rendimentos na declaração anual e as finanças caíram-lhe em cima. E bem, digo eu!
Dois anos depois, semanas após a entrega da referida declaração, foi notificado para comparecer na repartição da zona de residência, fazendo-se acompanhar da dita e respectiva documentação de suporte e dos documentos das quatro viaturas que, segundo as finanças, teria em seu nome. Foi obrigado a explicar como é que, com os seus parcos rendimentos, teria conseguido adquirir e ter em sua propriedade quatro viaturas.
Lá explicou que, dessas quatro viaturas, uma era do seu sogro (estando em seu nome apenas porque assim o desconto da compra foi maior) e as outras três tinham, somadas entre si, vinte e oito anos de idade!! O valor total das quatro viaturas não chegaria aos 20000€!
Tudo acabou por se resolver a bem, mas este meu amigo ficou sempre com a sensação de ter sido tratado um pouco como um criminoso, tendo de justificar bens que eram fruto do seu trabalho.
E por falar em trabalho, que tipo de trabalho terão estes jovens que lhes permita terem rendimentos para comprarem "máquinas" como aquelas?
Ninguém lhes pergunta? Ninguém quer saber?
Eu quero!
Gostava de saber, pois acho que fico bem dentro de um Mercedes!
Eu, que com a idade deles já trabalhava, e me contentei com um Fiesta! Novinho em folha, é um facto, mas um Fiesta!
'Tá bem que dormia descansado, sem medo de me baterem à porta a meio da noite (a meio da noite não, que a lei não permite!) e me entrarem pela casa aos gritos com cães e tudo, a sujarem-me os persas e correndo o risco de estragarem o plasma!
Foi assim que dei por mim a pensar: será justa a vida que levo?
P.A
"Debaixo de toda a vida contemporânea encontra-se latente uma injustiça profunda e irritante: a falsa suposição da igualdade real entre os homens. Cada passo que damos entre eles mostra-nos tão evidentemente o contrário que cada caso é um tropeção doloroso."
ResponderEliminar(Ortega y Gasset)
Amigo o que me preocupa e devia preocupar-te também é o facto de nesta altura achares que viveres de acordo com os teus valores(que são válidos!)não chega.
ResponderEliminarTu tens uma máquina que nenhum desses jovens sequer pode aspirar,a tua pessoa!
Além disso e se os tais jovens fossem caucasianos?
Seria a mesma coisa.
ResponderEliminarIsso por si só não me faria despertar nenhum tipo de sentimento (sic)
P.A
A vida até pode ser injusta, mas cabe-nos a nós mudar o rumo dela, não esperemos por ninguém.
ResponderEliminar(Pedro Batista)
Mas na mais profunda essência da questão até poderás ter razão amigo, mas deixa que te diga, eles que fiquem com as joias, com os carros que eu fico com a consciencia tranquila, isto não dá de comer é verdade mas dá para eu dormir um pouco melhor.
Um abraço,
Pedro Batista