quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sonhos de verão

O nosso subconsciente é uma coisa fantástica!
Há já uns tempos que tenho a intenção de abraçar a política, filiando-me no meu partido de sempre, para assim poder defender activamente os interesses dos meus pares.
Só o não fiz ainda porque, de momento, a liderança do meu partido me parece demasiado frágil, para não lhe chamar outra coisa.
Hoje sonhei que era autarca!

Talvez o facto de ter tido este sonho seja um reflexo deste meu crescente desejo.
Mas eu, que raramente me lembro pormenorizadamente dos sonhos que tenho, guardo deste memórias, como se o tivesse realmente vivido.

Logo quando me filiei (no sonho, claro) enfrentei as primeiras dificuldades. Para começar não tinha um curso superior, não me podiam chamar Doutor ou Engenheiro. Ainda me propuseram tirar uma licenciatura, mas lá expliquei que os meus Domingos eram preenchidos com actividades familiares, pelo que não teria tempo de ir ao exame!
Avancei com o argumento que o Tino de Rans também não tem curso superior, e isso não o impediu de ser um herói do PS. Como não queriam ficar atrás deste partido de esquerda, pioneiro em várias áreas, lá se ultrapassou esta dificuldade.

Depois, também não me destacava em nenhuma área especifica, não tinha imagem de figura pública, pelo que poderia ser difícil convencer o eleitorado.
Bem, Vital Moreira também não tinha uma imagem por aí além, parecia pouco à vontade nos discursos, mas isso não foi razão para que o PS não acreditasse nele para as eleições europeias!
E pronto, mais uma dificuldade ultrapassada.

Agora quando me falaram do meu curriculum e me perguntaram se nele constava algum tipo de condenação, fiquei indignado!
É claro que não, por quem me tomavam estes senhores?!
“-Epá, então não pode ser nada! Se não tiver nem que seja uma condenaçãozita, não pode ser candidato!”
Após reflectir um pouco lá me lembrei que, há uns anos, fui multado por excesso de velocidade e fui condenado a um mês de inibição de condução!
“-Bem, é um principio, mas temos de melhorar este aspecto. Depois da eleição, trate de aceitar dinheiro por fora, fazer negócios em proveito próprio, para engrossar o curriculum, ok?!”

E pronto, foi assim que me vi no meio da populaça, aos beijinhos e abraços a velhinhas e jovens para ser eleito.
O que consegui, após fazer algumas promessas que daqui a quinze dias ninguém se vai lembrar!

Esta é, no entanto, uma escrita ficcionada. Qualquer semelhança com factos ou pessoas aqui relatados é pura ficção.
Apesar deste blog não ser lido por muita gente e das poucas pessoas que o lêem não ligarem a mínima ao que aqui se escreve, nunca se sabe, daí este aviso.

P.A

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A vida ao contrário!

Esta manhã, ao deixar o carro no estacionamento junto à secção de inquéritos da PSP em Alcantâra, dei por mim a questionar a justeza da vida.

Normalmente deixo o carro entre a dita secção e a discoteca Queens. Fica mais perto do acesso ao viaduto da Infante Santo, que me permite o atravessamento da linha para poder tomar o autocarro em direcção ao Rato.
Àquela hora da manhã (7h30) o movimento, principalmente nesta altura de férias, não costuma ser muito, mas hoje a zona estava invulgarmente agitada e preenchida.
Dois ou três pontos em comum uniam todas aquelas pessoas: estavam etilicamente bem dispostas, vinham todos da dita discoteca e o seu tom de pele era assim... para o escuro!

Isto por si só não me faria despertar nenhum tipo de sentimento, mas ao verificar como a grande maioria destas pessoas abandonava o local, fiquei de boca aberta!
Mercedes e BMW eram comuns entre eles. E não se pense que estamos a falar de "charutos" importados e com mais de oito anos, não!
Estamos a falar de carros recentes com preços que variam entre os 40000€ e os 125000€!!

Não acham estranho que jovens de orelhas perfuradas (não é preconceito, eu próprio uso brinco!), bonés revirados e que pelos vistos não trabalham (de que outro modo sairiam de uma discoteca aquela hora num dia de semana?) andem em bólides deste calibre?!

Há uns anos atrás, um amigo meu teve uns problemas com as finanças.
Omitiu rendimentos na declaração anual e as finanças caíram-lhe em cima. E bem, digo eu!

Dois anos depois, semanas após a entrega da referida declaração, foi notificado para comparecer na repartição da zona de residência, fazendo-se acompanhar da dita e respectiva documentação de suporte e dos documentos das quatro viaturas que, segundo as finanças, teria em seu nome. Foi obrigado a explicar como é que, com os seus parcos rendimentos, teria conseguido adquirir e ter em sua propriedade quatro viaturas.

Lá explicou que, dessas quatro viaturas, uma era do seu sogro (estando em seu nome apenas porque assim o desconto da compra foi maior) e as outras três tinham, somadas entre si, vinte e oito anos de idade!! O valor total das quatro viaturas não chegaria aos 20000€!

Tudo acabou por se resolver a bem, mas este meu amigo ficou sempre com a sensação de ter sido tratado um pouco como um criminoso, tendo de justificar bens que eram fruto do seu trabalho.
E por falar em trabalho, que tipo de trabalho terão estes jovens que lhes permita terem rendimentos para comprarem "máquinas" como aquelas?

Ninguém lhes pergunta? Ninguém quer saber?
Eu quero!
Gostava de saber, pois acho que fico bem dentro de um Mercedes!
Eu, que com a idade deles já trabalhava, e me contentei com um Fiesta! Novinho em folha, é um facto, mas um Fiesta!

'Tá bem que dormia descansado, sem medo de me baterem à porta a meio da noite (a meio da noite não, que a lei não permite!) e me entrarem pela casa aos gritos com cães e tudo, a sujarem-me os persas e correndo o risco de estragarem o plasma!

Foi assim que dei por mim a pensar: será justa a vida que levo?
P.A

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Regresso ao Passado


Decidido a perder uns quilos, resolvi não só tomar mais cuidado com a alimentação, mas também ceder às pressões, quer da minha médica de família, quer da minha Cristina e iniciar a prática de algum exercício físico.
Como o tempo livre não é muito, optei pelas caminhadas, mais ou menos diárias. Opto, agora, por deixar o carro em Alcântara e seguir de autocarro para o Rato, onde trabalho. À tarde, sigo a pé, fazendo o percurso inverso.
Comprada a indispensável garrafinha de àgua na 1800, logo à esquina, sigo pela Álvares Cabral acima e atravesso o Jardim da Estrela...

No dia em que fiz este percurso pela primeira vez, ao chegar ao Jardim, fui invadido por uma sensação (boa) de nostalgia.

Lembrei-me dos tempos, dos bons tempos, de menino reguila em que, pela mão do meu avô Zé e da minha avó Alice, descia de Campo de Ourique para brincar no jardim.
Nessa altura as crianças ainda podiam correr e brincar à vontade, dar milho aos pombos e pedacinhos de pão aos patos que nadavam tranquilos no lago enquanto os avós descansavam nos banquinhos de madeira à sombra.

Lembrei-me do olhar orgulhoso e terno do avô Zé e da avó Alice ao ver os netos evoluir na relva ou subir ao coreto. De nos ralharem por sujarmos as calças: "raça dos miúdos", diziam eles!
E hoje, que já não tenho a avó Alice por cá, lembro-me dela com saudade!

Gostava de poder voltar atrás no tempo e gozar, nem que fosse por cinco minutos apenas, da felicidade daqueles tempos.

Um destes dias tenho de lá levar o meu avô.

Cheira-me que vai gostar.


P.A


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

(In) Justiça à Portuguesa


Rita e Luís eram namorados. A 31 de Agosto de 2007, na EN125 no Algarve, sofreram um acidente que mudaria definitivamente a sua vida e a de mais quatro pessoas.
Um Opel Corsa desgovernado que seguia em sentido contrário, despista-se numa curva e embate de frente no seu carro. Do embate viriam a resultar a morte de Rita e de mais três pessoas que seguiam na outra viatura.
O condutor desta acusou 1.1 gr/lt de alcool no sangue, quase taxa crime.
Dois anos depois, o Tribunal de Lagos considerou o causador do acidente culpado das quatro mortes e condenou-o a um ano de inibição de condução e a quatro anos (!) e três meses de prisão... com pena suspensa por igual período!!!
Em Fevereiro deste ano, um camionista português, Paulo Jorge da Silva, foi condenado a três anos de prisão efectiva por ser causador de um acidente onde morreram seis pessoas, todas da mesma família, e a pena acessória de três anos de inibição de condução, período findo o qual terá de se submeter a novo exame de condução a fim de recuperar o título.
A pena foi atenuada tendo em conta o facto de o camionista não ter tido intenção de magoar», para além de ter um registo de boa condução, tendo «demonstrado ter sido um camionista responsável».
O camionista ignorou vária sinalização de perigo e, aparentemente, conduzia ao mesmo tempo que falava ao telemóvel, embatendo na traseira de uma viatura que se incendiou imediatamente.

Eu não conheço o Luís nem conhecia a Rita. Tão pouco conheço o "camionista" Paulo Silva.
O que me leva a trazer este assunto aqui tem a ver com a injustiça do nosso Sistema e serve apenas como exemplo.

- Em Portugal levamos dois anos a julgar! Em Inglaterra bastaram três meses!
- Em Portugal a pena é suspensa! Em Inglaterra cumpre pena efectiva!
- Em Portugal a carta fica suspensa um ano! Em Inglaterra leva com três e tem de ir a exame!

Quantas Rita existirão por este País fora?
Quantas vidas serão ceifadas por inconscientes que seguem atrás de um volante e ficam sem castigo?
Demasiadas, direi eu!