sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Acaso

Por estes dias tenho aproveitado o final de tarde e vou até à praia.
Eu, que até nem gosto de praia! Bem, também conheço gente que não gostava de muita coisa e agora ama! Mas adiante.

Nunca fico muito tempo e à vinda aproveito o embalo da Marginal e sigo sereno até casa.
Hoje, vinha eu a pensar em coisa nenhuma, despertou-me a atenção, no passeio paralelo à estrada, uma senhora de alguma idade, pouco mais nova que os meus pais, talvez, que carregava o seu peso e o de dois sacos.
Parecia cansada e cada passo um tormento.
Despertei da minha dormência e, num impulso, vi-me parado a seu lado a perguntar: "para onde vai?"
A principio não me ligou qualquer importância e seguiu o seu caminho.
- "Boa tarde. Desculpe, mas parece-me tão cansada! Aceita boleia? Não se preocupe que não sou dos maus, quero ajudar!"- disse.
Esboçou um sorriso tímido: "Agradeço, sim!"

No caminho, breve de apenas umas centenas de metros, lá me foi contando como vai ocupando os seus dias num pequeno café que tem em sociedade e que "dá mais chatice que lucro".
Como está sozinha, agora que o marido se foi (sei para onde, mas não conto).
Como gostava de voltar atrás no tempo, embora não me tenha dito porquê!
E falou, falou...
Quanto mais a ouvia, mais sentia quão injusta a vida parece ser.
-"Sabe, em tempos disseram-me que nada acontece por acaso. Nada!"- disse-lhe.
Olhou para mim com uma expressão vazia e convidou-me para passar "lá no café e beber um chá!".
Achei piada a esta do chá, mas considero aceitar o convite.

O seu nome?
Helena!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A diligência

À semelhança da passada semana, venho aqui a este meu cantinho agradecer a todos aqueles que, sabendo da importância deste dia, tiveram o cuidado e a preocupação de, com os seus telefonemas ou mensagens, me transmitirem de algum modo a sua solidariedade.

Porque não o fiz da última vez, impõe-se também um agradecimento a todos aqueles que, estando na posse desse conhecimento, o não fizeram...!
E agradeço a estes mais que aos outros pois assim me deram a conhecer a minha verdadeira importância nas suas vidas, ou para as suas vidas.
Na certeza, porém, que quando tudo isto terminar, não os quererei por perto... por muita consternação que possam sentir!

E porque nestes dias o meu tempo tem de ser ocupado da melhor maneira, deixo-vos umas palavras que me parecem adequadas ao momento e cujo autor me encarrego de descobrir aos poucos nas suas diversas facetas com infindável prazer.

Obrigado!

(...)

"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde ela me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas
e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.

Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também."

Bernardo Soares in "O Livro do Desassossego"

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Sarává!

Aos meus amigos, colegas, conhecidos e desconhecidos que me acompanharam no dia de hoje, com as suas palavras de coragem e força, com o seu apoio, e com a sua ajuda, o meu muito obrigado.
À M.J a minha vénia por tudo, apesar de tudo!

Sarává!