Por estes dias tenho aproveitado o final de tarde e vou até à praia.
Eu, que até nem gosto de praia! Bem, também conheço gente que não gostava de muita coisa e agora ama! Mas adiante.
Nunca fico muito tempo e à vinda aproveito o embalo da Marginal e sigo sereno até casa.
Hoje, vinha eu a pensar em coisa nenhuma, despertou-me a atenção, no passeio paralelo à estrada, uma senhora de alguma idade, pouco mais nova que os meus pais, talvez, que carregava o seu peso e o de dois sacos.
Parecia cansada e cada passo um tormento.
Despertei da minha dormência e, num impulso, vi-me parado a seu lado a perguntar: "para onde vai?"
A principio não me ligou qualquer importância e seguiu o seu caminho.
- "Boa tarde. Desculpe, mas parece-me tão cansada! Aceita boleia? Não se preocupe que não sou dos maus, quero ajudar!"- disse.
Esboçou um sorriso tímido: "Agradeço, sim!"
No caminho, breve de apenas umas centenas de metros, lá me foi contando como vai ocupando os seus dias num pequeno café que tem em sociedade e que "dá mais chatice que lucro".
Como está sozinha, agora que o marido se foi (sei para onde, mas não conto).
Como gostava de voltar atrás no tempo, embora não me tenha dito porquê!
E falou, falou...
Quanto mais a ouvia, mais sentia quão injusta a vida parece ser.
-"Sabe, em tempos disseram-me que nada acontece por acaso. Nada!"- disse-lhe.
Olhou para mim com uma expressão vazia e convidou-me para passar "lá no café e beber um chá!".
Achei piada a esta do chá, mas considero aceitar o convite.
O seu nome?
Helena!
Quando menos esperamos acontecem coisas destas.
ResponderEliminarNada acontece por acaso, e quando se fecham as portas ... abrem-se janelas.
Força.
Nuno