Porque não o fiz da última vez, impõe-se também um agradecimento a todos aqueles que, estando na posse desse conhecimento, o não fizeram...!
E agradeço a estes mais que aos outros pois assim me deram a conhecer a minha verdadeira importância nas suas vidas, ou para as suas vidas.
Na certeza, porém, que quando tudo isto terminar, não os quererei por perto... por muita consternação que possam sentir!
E porque nestes dias o meu tempo tem de ser ocupado da melhor maneira, deixo-vos umas palavras que me parecem adequadas ao momento e cujo autor me encarrego de descobrir aos poucos nas suas diversas facetas com infindável prazer.
Obrigado!
(...)
"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde ela me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas
e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também."
Bernardo Soares in "O Livro do Desassossego"
se isto fosse como no face tinhas um like... :-)
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