Há dias, uma amiga minha que trabalha na área do "coaching" (adoro esta mania de colocar estrangeirismos em tudo o que é profissão fina!) partilhou, em conversa de amigos, os resultados de um estudo por ela efectuado num dos maiores bancos do panorama nacional.
Este estudo, encomendado pela Administração do banco, visava aferir, entre outras coisas, o grau de motivação e satisfação dos seus funcionários, convencidos que estavam terem nas suas fileiras equipas com os mais altos graus de contentamento.
Este estudo serviria, posteriormente, para acções de Marketing do próprio banco.
Para surpresa geral, até da minha amiga, os resultados do estudo revelaram aquilo que ninguém esperava: cerca de 80% dos funcionários que participaram no estudo revelavam um alto grau de desmotivação e insatisfação.
Contrariamente ao também esperado, a faixa etária onde residem os mais altos valores de insatisfação não são os mais novos, mas sim os mais antigos funcionários da instituição.
Motivo principal para este descontentamento: a desumanização do local/ posto de trabalho.
Ou seja, mais que a remuneração, o factor humano pesa quando se trata de motivar os trabalhadores.
Por mim não seria necessário qualquer estudo, não só para chegar à primeira conclusão na maioria das nossas empresas, como também para a segunda.
Os trabalhadores, hoje, são vistos como um número num mapa Excel, muitas vezes somente como um sinal, positivo ou negativo.
Não importam os seus problemas, as suas condições, quer familiares quer de trabalho, a sua saúde: o que as empresas querem é facturar, mais e mais, com menos e menos.
Infelizmente não prevejo melhorias neste aspecto.
Em vez de pensarem quanto custa motivar um funcionário, as empresas deveriam pensar quanto custa não o fazer.
É por todos sabido que um funcionário motivado produz mais.
Porque não apostar nisto?
Ao invés, temos (ir)responsáveis que que confundem motivação com laxismo, e que ao invés de tentar perceber o que se passa nas entranhas da sua empresa, arreganham os dentes e vai de dar dentadas em tudo quanto é canela!
Pode ser que um dia percebam que fazem parte do problema, e não da solução!
Até lá, teremos de os aturar, de fazer de conta que somos cegos, surdos e mudos, e deixar rolar o barco... ou então, apeamo-nos do barco e tomamos outro, rumo ao futuro.
Pode ser que entretanto aquele outro vá ao fundo e aí poderemos sempre dizer: "afinal eu tinha razão"!
A nós já de nada nos servirá, mas que vai fazer bem ao ego, lá isso vai!
P.A
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