sábado, 17 de abril de 2010

Como reerguer um Estado

"O irregular e promíscuo funcionamento dos poderes públicos é a causa primeira de todas as outras desordens que assolam o País.

Independentemente do valor dos homens e das suas intenções, os partidos, as facções e os grupos políticos supõem ser, por direito, os representantes da democracia.
Exercendo de facto a soberania nacional, simultâneamente conspiram e criam entre si alianças em que os benificiários são apenas os seus militantes mais activos.

A Presidência da República não tem força nem estabilidade.

O Parlamento oferece constantemente o espectáculo do desacordo, do tumulto, da incapacidade legislativa ou do obstrucionismo, escandalizando o País com o seu procedimento e a inferior qualidade do seu trabalho.

Aos ministros falta coesão, autoridade e uma linha de rumo, não podendo assim governar, mesmo que alguns bem intencionados o pretendam fazer.

A Administração Pública, incluindo as autarquias, em vez de representar a unidade, a acção progressiva do Estado e a vontade popular é um símbolo vivo da falta de colaboração geral, da irregularidade, da desorganização e do despesismo que gera, até nos melhores espíritos, a indiferença e o cepticismo.

Directamente ligada a esta desordem instalada, a desordem financeira e económica agrava a desordem politica, num ciclo vicioso de males nacionais.
Ambas as situações somadas conduziram, fatalmente, à corrupção generalizada que se instalou."

Estas palavras não são de minha autoria.
Foram escritas em 1936, por um estadista português de seu nome António de Oliveira Salazar no seu livro com o mesmo nome do título deste post.

Arrepia a actualidade da prosa.

Seria Salazar um visionário, ao relatar à altura o que se passava no País, ou as coisas, afinal, não mudaram assim tanto?
Pior ainda é pensar que... regrediram!

Cada vez mais me apetece ir para Marte!!

P.A

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